QUARTETO 1111
A história do Quarteto 1111 começa no Estoril, em 1967, quando Michel Pereira (cujo número de telefone era o 1111) se junta a José Cid, António Moniz Pereira e Jorge Moniz Pereira.
Estreiam-se com um single "A lenda de El-Rei D. Sebastião", que consegue ser o primeiro disco português a tocar no programa de rádio "Em Órbita", até aí só acessível à música anglo-saxónica.
Em 1968 concorrem ao festival RTP da Canção interpretando "Balada para D. Inês", que se classifica em 3.º lugar.
Algumas das canções do grupo tinham uma forte carga política, o que lhe valeu bastantes problemas com a censura.
Em 1970, Mário Rui Terra substitui Jorge Moniz e gravam o primeiro LP, simplesmente intitulado "Quarteto 1111". Este álbum foi mandado retirar do mercado, pela censura, por conter temas como "Domingo em Bidonville" e "Pigmentação".
Tozé Brito (vindo dos Pop Five Music Incorporated; outro dos nomes grandes do pop/Rock nacional) entra para a banda substituindo Mário Rui.
Começam a cantar em inglês e tentam a internacionalização com temas como "Back to The Country" e "Ode to The Beatles"
Em Agosto de 1971, o grupo actua no Festival de Vilar de Mouros, com um José Cid de barba e chapéu.
José Cid (que era o teclista do grupo) fica encantado com os sons que ouve no "Moog" de Manfred Mann (também presente em Vilar de Mouros) e não descansa enquanto não arranja um.
Em 1973, José Cid toca "Moog" no disco "A Bruma Azul do Desejado", gravado com Frei Hermano da Câmara e o Quarteto 1111.
Este foi o último disco que Cid gravou com o Quarteto, antes de abandonar. Mas, em 1974, o grupo já estava de novo reunido para gravar "Onde, Quando e Porquê, Cantamos Pessoas Vivas". Agora, para além de Cid, eram membros da banda o baterista Guilherme Inês, Mike Seargent, Tozé Brito e António Moniz Pereira.
A banda dura pouco tempo com esta formação e aparecerá uma formação totalmente nova (sem nenhum dos elementos originais) que usará o nome de Quarteto 1111.
O grupo original ainda se reagrupará em 1987, para gravar o single "Os Rios Nasceram Nossos/Memo", mas não tem continuidade.
Há reedições em CD do Quarteto 1111, para quem quiser ouvir o som produzido por esta banda pioneira do Rock português.
ARISTIDES DUARTE, NOVA GURDA (06/10/1999)
DISCOGRAFIA
A lenda de El-Rei D. Sebastião (Single, VC, 1967)
Balada para D. Inês (Single, VC, 1968)
Dona Vitoria (EP, EMI, 1968)
Partindo-se??
Nas Terras do Fim do Mundo (Single, VC, 1969)
Meu Irmão (Single, VC, 1969)
Génese/Monstros Sagrados (Single, VC, 1969)
'Todo o Mundo e Ninguém (Single, VC, 1970)
Quarteto 1111 (LP, Columbia/VC, 1970)
Back to The Country (Single, VC, 197*)
Ode to The Beatles (Single, VC, 197*)
Sabor a Povo/Uma Nova Maneira de Encarar o Mundo (Single, VC, 1972)
A Bruma Azul do Desejado (LP, EMI/VC, 1973) (com Frei Hermano da Câmara)
Onde, Quando e Porquê, Cantamos Pessoas Vivas (LP, Decca/VC, 1976)
O Que Custar? (Single, EMI, 1977)
A Lenda do Quarteto 1111 - Antologia da Música Portuguesa (Compilação, EMI,
1981)-------EMI 0 777 7 89458 2 6-??
Os Rios Nasceram Nossos/Memo (Single, EMI, 1987)
A lenda de El-Rei D. Sebastião (Compilação, EMI,
1996) caravela
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José Cid, António Moniz Pereira, Mário RuiTerra e Michel (os últimos três ex-Conjunto Mistério) arrancavam a velocidade apreciável - o disco de estreia, o EP "A lenda...", conheceria recepção calorosa - rumo a um percurso para o qual o conceito de irregularidade foi concebido. Entre registos aventureiros (à época, risco significava incorporar convenientemente as sensibilidades estéticas anglo-saxónicas) e outros que o tempo catalogou como pesadelos, o quarteto tem como advogados de defesa o álbum homónimo - ao qual nem sequer faltou os carinhos da Censura - e "Onde, quando, como e porquê cantamos pessoas vivas - obra-ensaio de José Cid e o Quarteto 1111", este já com Tó Zé Brito a bordo. Aliás, a oscilação criativa equiparava-se à de "line up". Mike Sergeant, Vítor Mamede Guilherme Inês, Rui Reis, Luís Duarte e Armindo Neves desfilariam igualmente pela ficha técnica do colectivo. Singles em catadupa, um LP partilhado com Frei Hermano da Câmara ("Bruma azul do desejado"), opção momentânea pelo inglês, participação em Vilar de Mouros e, até, no final, presença no Festival da Canção - com o tema "O que custar" - delinearam a respiração de um corpo que Tó Zé Brito, José Cid, Michel e Mike Sergeant vão tentar ressuscitar.
DN 05.01.2003